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A ICPI E A REFORMA PROTESTANTE

Publicado em 16 de outubro de 2019

A ICPI E A REFORMA PROTESTANTE

Neste mês de outubro, nós cristãos protestantes, comemoramos o mês da Reforma Protestante. Talvez você nunca tenha se interessado em saber sobre isso, mas agora chamo você a refletir um pouco, conhecer suas raízes e pensar sobre este acontecimento tão importante para a igreja, para a sociedade e principalmente para nós. O que nós da ICPI temos a ver com isso? O que foi a Reforma Protestante? Por que aconteceu essa reforma? Onde, quando, em quais circunstâncias? Tudo isso será respondido neste breve texto.
Temos ciência que alguns grupos sectários (separatistas), têm advogado para si a exclusividade, ou o monopólio da herança da reforma, chegando a desqualificar nós Pentecostais, de não sermos herdeiros legítimos da reforma. Se a maneira como estes pensam estiver certa, então nenhum de nós seria herdeiro legítimo dos apóstolos, porque somente os católicos estão desde o começo da História da igreja. Logo, fica claro que essa afirmativa é ilegítima, os pentecostais possuem suas raízes históricas, que remontam ao movimento Holiness, que por sua vez é herdeiro direto do movimento metodista dos irmãos Wesley, que foram oriundos do Anglicanismo, movimento que teve seu início no mesmo período que os outros movimentos pioneiros da Reforma Protestante. O fato de não termos começado no séc. XVI, não significa que não tenhamos nossas raízes na Reforma Protestante, as verdades que foram defendidas naquela época, são a base das doutrinas do movimento pentecostal, das quais a ICPI se origina.
Nós da ICPI (Igreja de Cristo Pentecostal Internacional) comemoramos e defendemos as verdades que estruturaram os alicerces da teologia da reforma. No nosso Manual de Doutrina apêndice 7, Pg. 207, reafirmamos a nossa fé e o nosso compromisso de hastear a bandeira da Reforma Protestante, como fé universal de toda igreja genuinamente evangélica. Não abrimos mão destas verdades basilares da fé cristã, o Sola Scriptura (Somente a Escritura) dá fundamento aos demais Solas, que serão reafirmados, e digo reafirmados, porque neste período haviam sido abandonados pela igreja romana. O Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus e o Soli Deo Gloria, sustentam a teologia que rompe com os paradigmas do imaginário da época. (Aconselho a Leitura do apêndice 7, do nosso Manual de Doutrina).
Em que contexto surgiu a Reforma?
Era o fim da Idade Média e início do século XVI, a igreja era a mandatária de todo o poder religioso e político da época, nos anos que antecederam a reforma. Percebemos que a igreja foi se distanciando com o passar do tempo daquilo que chamo de herança apostólica, ou o legado dos apóstolos. A partir da conversão de Constantino e do “edito de tolerância” promulgado pelo Imperador Constantino, no ano de 313 na cidade de Milão e com a posterior proclamação do cristianismo como religião oficial de Roma, a igreja passou a ver a “conversão” em massa de praticamente toda a sociedade Ocidental, composta por pessoas das mais diversas religiões. E logo os templos pagãos foram transformados em igrejas cristãs e líderes ímpios, oriundos do paganismo foram se transformando em “líderes religiosos cristãos”. A igreja passou também a reconhecer práticas, até então estranhas ao cristianismo primitivo, a inserção de imagens de santos, cultos em veneração a Maria, culto aos santos, doutrina do purgatório, o termo “papa”, que era inicialmente dado aos bispos em geral, foi sendo utilizado para se referir apenas ao bispo de Roma. O declínio moral e espiritual que vinha acontecendo ao longo dos anos, foi algo extremamente importante para que fosse denominado aquele período anterior à Reforma Protestante e: “Idade das Trevas” (Idade Média).
Era um ambiente hostil, corrupto, depravado, injusto, imoral, onde o evangelho era comercializado, onde a salvação (pessoal ou de outros) poderia ser conquistada através de práticas legalistas mediante algum mérito (esforço humano). Ou se preferisse, poderia ser comprada por algumas moedas de ouro (indulgências). Onde a tradição eclesiástica precedia às sagradas Escrituras. Onde o Papa exercia total domínio sobre os fiéis, por dizerem-se representantes de Deus, cuja palavra tinha autoridade total, indiscutível e principalmente infalível. Onde os cargos eclesiásticos podiam ser comprados com uma boa oferta (simonias). Onde a miséria e a pobreza levavam tantas pessoas à morte. Onde as relíquias dos santos, pedaços de madeira da cruz de Cristo, eram vendidas à luz do dia, a fim de enriquecer e “empoderar” cada vez mais a igreja romana. Onde objetos místicos tinham substituído, no culto, a presença espiritual do Deus invisível. Foi neste cenário que a Reforma Protestante aconteceu, foi como um grito de “BASTA”!
A Reforma Protestante surge como uma ruptura com o sistema religioso/político/cultural/social romano de sua época, que em muito se assemelha com nossos dias. Essa ruptura já vinha acontecendo há algum tempo, alguns movimentos precursores à reforma, davam sinais de que a qualquer momento haveria um grande cisma. No séc. XII com Valdes (os valdenses); no séc. XIV e XV com John Tauler (1300) na Alemanha; John Wycliffe na Inglaterra (1330); John Huss (1380) na antiga Boêmia (atual Tchecoslováquia); John Tindaly na Inglaterra (1490), víamos Deus agindo em oposição a tudo que estava acontecendo naquela época.
Adentrando no contexto do séc. XVI, o teólogo Renato Vargens comenta que:
“Na verdade a reforma foi um grito proferido por homens de Deus que pela graça do Senhor tinham discernido que a igreja havia se afastado de suas origens e ensinamentos.”
Foi neste cenário que nasceu Martinho Lutero em 10 de novembro de 1483, na cidade Eisleben, Turíngia, na Alemanha. Aos cinco anos começou a estudar Latin, aos 12 anos começou a estudar em uma escola religiosa em Magdeburgo, aos 22 anos recebeu o título em Mestre de Artes, pela universidade de Erfurt, por influência de seu pai, que sonhara que seu filho fosse advogado, assim como teologia e medicina, o direito era uma das possibilidades de se tornar um intelectual da época. Martinho Lutero ingressa na universidade para estudar direito, mas em uma noite chuvosa e tempestuosa, Lutero foi acometido de um medo assustador quando andava pelas ruas da cidade e via os raios e relâmpagos caírem ao seu lado, tendo neste momento prometido entregar sua vida, a fim de viver uma vida religiosa (se tornar um padre) por sua devoção a Santa Ana, protetora dos mineradores (profissão do seu Pai). Ele procura uma ordem religiosa e passa a compor a ordem dos monges Agostinianos, onde foi enviado para estudar teologia em Wittemberg. Martinho Lutero em 1512 recebe o grau de doutor, se tornando o principal professor da universidade de Wittemberg, atraindo a atenção dos poderosos da sua época por causa da sua desenvoltura acadêmica. É importante comentar que neste período de docência antes do marco das 95 teses, Lutero escreveu 97 teses (quase desconhecidas) contra a teologia escolástica, que para sua época começava a levantar “críticas” ao pensamento e ensino tomista que dominava as universidades e quase toda a sociedade intelectual. No dia 31 de outubro de 1517 o mesmo afixou as 95 teses na porta do Castelo de Wittemberg, ocasionando assim, o início da Reforma Protestante. É baseado neste evento que nós comemoramos hoje, o mês da Reforma Protestante.
As teses tratavam de alguns pontos como:
● O poder do papa de perdoar pecados.
● O perdão aos mortos.
● Destacava o valor da Palavra de Deus.
● Contra as indulgências.
Esse alvoroço que surgia na Alemanha de Lutero começou a se espalhar e influenciar outras pessoas por diversas regiões.
As 95 teses afixadas na porta do castelo, era um método comum da época feita por intelectuais para convocar (uma espécie de desafio) alguém para o debate público sobre os pontos elencados nas teses. Naquela ocasião, se encontrava na cidade de Wittemberg frei Tetzel com ordens do papa Leão X de levantar fundos para a construção da Basílica de São Pedro. Ele se encontrava com uma bula papal lhe autorizando a pregar aos fiéis a respeito das indulgências por toda a Alemanha; isso levou Lutero a afixar as 95 teses que seriam os temas de um debate público.
Além das 95 teses afixadas, juntou-se o fato de naquele momento estar acontecendo um grande desenvolvimento da imprensa, que havia sido criada por Johannes Gutemberg na própria Alemanha; isso fez com que rapidamente os escritos de Lutero se espalhassem pela cidade e posteriormente por toda Alemanha e Europa. Causando desconforto em todo o clero e chegando ao conhecimento do papa, que em 1520 enviou uma bula papal onde determinava como pena legal a excomunhão, caso Lutero não se retratasse dos seus ensinos e escritos num prazo de 60 dias. No momento em que a bula papal chega às mãos de Lutero, o mesmo a queima perante todos, esquentando ainda mais os ânimos, tanto dos que discordavam, como dos que o seguiam. O papa Leão X, envia ordens ao jovem imperador Carlos V para que levasse Lutero ao tribunal para ser julgado, onde foi acompanhado pelo seu companheiro o rei Frederico, que todo o tempo lhe orientava como se portar diante do tribunal, mas Lutero parecia convicto do que estava fazendo e pregando. E diante do tribunal em 1521, Lutero reafirma tudo o que estaria escrevendo, pregando e ensinando e que só mudaria seu discurso se pelas Escrituras pudessem provar que ele estava errado. Citando o mais conhecido discurso diante de todos os presentes no tribunal de Worms:
¨Como Vossa Majestade e Vossas Altezas exigem de mim uma resposta simples, quero dar tal sem chifres e dentes. Caso não for convencido por testemunhos da Escritura e por motivos racionais evidentes — pois não creio nem no Papa nem nos Concílios, pois é evidente que erraram muitas vezes e se contradisseram —, estou convencido, pelas passagens da Sagrada Escritura que mencionei, e minha consciência está presa à Palavra de Deus e não posso nem quero revogar qualquer coisa, pois não é sem perigo nem salutar agir contra a consciência. De outra maneira não posso, aqui estou, que Deus me ajude, amém.¨
Após esta confissão que surpreendeu a todos os presentes, houve um grande turbilhão de manifestações em desfavor de Lutero, com ameaças e proteção ao grande líder que havia surgido naquele momento histórico. Este foi o início da reforma que levaria o seu nome, “Luterana” ou também chamada de “Reforma Evangélica”.
É bastante comum ser tratado, inclusive por alguns historiadores, este período denominado de Reforma Protestante, como um acontecimento que foi promovido por Lutero e isso tem feito com que outros nomes importantíssimos para a reforma, percam uma grande notoriedade, passando a ocupar um lugar de quase esquecimento, ou talvez anonimato. Sabemos que a reforma não começou exatamente no dia 31 de outubro de 1517, com Lutero, mas já vinha acontecendo como vimos anteriormente e que também foi um movimento bastante heterodoxo. Nesta mesma época, ao menos quatro movimentos da reforma merecem destaque, embora também saibamos que havia vários outros movimentos menores por diversas regiões europeias. São estes: A Reforma Luterana ou Evangélica na Alemanha, que falamos do seu início e o principal nome acima, entretanto ainda merecem destaque também Filipe Melâncton e Martin Chemnitz, Os Reformados na França e Suíça, influenciados por Ulrico Zuínglio, Martinho Bucer, João Calvino, Guilherme Farel, João Knox, Henrique Bullinger e Gaspar Oleviano; Os Anglicanos na Inglaterra, iniciando com o rei Henrique VIII e organizados por Guilherme Tyndale, Tomás Cranmer, Guilherme Perkins. Estes três grupos fazem parte da Reforma Magisterial e que aconteceu com o apoio do Estado, e por fim, os reformadores radicais também conhecidos por Anabatistas que se subdividiram em espiritualistas, apocalípticos e racionalistas tendo entre eles o grupo de maior destaque, aquele que será conhecido como “os irmãos”; entre os principais líderes do movimento estão Conrado Grebel, Baltasar Hubmaier, Miguel Sattler, e Meno Simons.
A Reforma nos deixou um legado e uma reflexão. Deus tem preservado de maneira soberana seu povo na história, Ele sempre tem levantado os remanescentes fiéis que não se dobraram diante das propostas do maligno, para perseverarem na fé e na doutrina. Neste período reflitamos sobre o que devemos repensar e mudar e o que devemos lutar para manter como boa tradição. Um dos lemas da reforma foi, “Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est” (igreja reformada sempre se reformando). Assim como na reforma, as Escrituras, e somente elas (Sola Scriptura), são nossa única regra de fé e prática, que do início ao fim, de Gênesis a Apocalipse, têm falado e nos conduzido a Cristo e somente Cristo (Solus Christus) pode salvar o homem do pecado, do juízo e da morte eterna. Ele é o único mediador e nada disso vem acontecer por mérito humano, porque o homem é bom, ou por seu esforço, mas por infinita misericórdia, bondade e graça de Deus (Sola Gratia); não existe outro meio do qual o homem possa se apropriar da salvação pela graça, a não ser por meio da fé (Sola Fide) para que em tudo, e do início ao fim, somente Deus, receba toda honra e toda glória (Soli Deo Gloria).

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